"Para que se mude de modo a ficar tudo como está", os poderes governantes recorrerão a remendos e curativos para recompor as instituições combalidas desse Estado mal administrado.As mobilizações de rua lançaram um alerta, alerta este que poderá ser ampliado caso setores mais amplos e populares se mobilizem em novas reivindicações. Essas mobilizações, até aqui, têm se caracterizado por organização "horizontal", sem hierarquia, sem símbolo preciso(exceto a bandeira brasileira), a bem da verdade sem símbolos que unifiquem as diversas facções e orientações.Daí correr-se o risco de se perder muita coisa da entropia erótico-coletiva criada, um surto de psquismo coletivo que, para usar um termo de um famoso revolucionário bolchevique da revolução russa, propisciou um "um salto qualitativo da consciência das massas".
Não se pautou tudo isso por um caráter classista, as coisas ficaram dentro de um âmbito de reivindicação"cívica", setores significativos de classe média jovem, por meio de protestos contra o desrespeito a direitos fundamentais do cidadão por parte do poder do Estado, em todas as suas instâncias, federal, estadual e municipal.Um salto tardio de consciência? E se os bolsões dos menos favorecidos começarem a pipocar, como agirão os que, hoje atacados como governantes ineptos, agora dizem que vão mudar as coisas e as leis?A se conferir...
Há quanto tempo vem sendo gasto dinheiro para essa copa, por exemplo; estádios quase prontos, o que fazer com eles, após o evento, a não ser usá-los?Como moradias populares, hospitais, estábulos? O estádio do time mais popular da cidade, citando, está sendo construído por meio de dinheiro público, captado por meio de grupo empresarial mancomunado com o poder há mais de vinte anos, com interferência de um condenado pelo mensalão, aliado do presidente-gângster do time(e qual presidente de time não é gangster?), figura de baixo-clero do partido que está no poder.Houve algum protesto antes da pedra fundamental ser lançada?Já vejo a festa de inauguração, ano que vem, tudo esquecido e sem protestos, sem lembrança da dinheirama desperdiçada em algo que não rende frutos coletivos; apesar de que times de futebol são considerados entidades de utilidade pública(que falácia!), no fundo usadas para fins particulares.Contradições tupiniquins? Estou sendo pessimista?Até quando irão essas manifestações de protesto?
Estourou tudo de uma vez, fruto do desmazelo dos poderosos, da apatia dos dominados por eles.Agora o rebu foi formado.Sabe deus no que dará.Não vejo organização partidária no horizonte.Os que estão no mercado, definitivamente não presta ou apodreceram.Não será algo como essa Rede Social, liderada por figura conservadora e evangélica com pinta de progressista, que apontará luzes.O país precisaria de uma nova forma de organização partidária porque, dentro do quadro institucional, como fugir ao sistema de luta pelo poder de estado, para mudar o estado das coisas?Até quando irá o oxigênio que alimenta esse organismo de revolta?Por enquanto ele existe e os poderosos tentam insuflar um pouco de gás carbônico nessa atmosfera política para diminuir a euforia, com promessas de mudança de leis.Algumas virão, expressão de resposta a anseios de revolta e protesto.Outras serão postergadas.Uma primavera que lançou a possibilidade de novos canteiros; só não tenho certeza de não ser seguida por um novo inverno de apatia.Espero que não.Espero que surja um surto coletivo-psíquico de inconformismo permanente, dentro da afirmação de posições políticas clarificidas.Difícil mas não impossível.
sábado, 29 de junho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Uma curiosidade sobre Gustav Klimt
Este é o retrato de Emile Floge feito por Gustav Klimt.Para se ser mais exato, a parte de cima do retrato que, posteriormente, o pintor ligou com o restante.Para Klimt o trabalho do fundo da pintura era essencial, o que produzia a atmosfera colorística pretendida, principalmente por meio dos elementos decorativos ou arabescos. Emile foi a grande musa de Klimt, homem mulherengo, em torno do qual se construíam lendas de estar sempre cercado de muitas modelos nuas enquanto trabalhava.As velhas lendas em torno do artista e seu atelier...Em verdade trabalhava sempre com uma modelo só por vez, isolado do mundo com ela.Ninguém nunca o viu trabalhando num atelier.Emile era uma mulher avançada para a época, não dependendo economicamente de nenhum homem(era comerciante de roupas finas e alta costura, uma espécie de Coco Chanel da Viena da época), culta e sem amarras.Foi confidente e melhor amiga de Klimt até sua morte, em 1918.Há vasta correspondência entre os dois, viajaram muitas vezes juntos, constantemente vistos juntos em ocasiões sociais.Ele a desenhou muito, fez várias pinturas dela; mas justamente esta, que ele muito apreciava, não era do agrado dela , até hoje não se sabendo o porquê disso.Pelo que vi de fotos dela, parece-me até que ele a fez mais bela na pintura.Como deveria ser esperado, naturalmente.Casado duas vezes, com dois filhos e muitos casos amorosos, inclusive com a famosa Alma Mahler, mulher de Gustav Mahler, ele, contudo, e pelo que se tem da correspondência e dos relatos de amigos e conhecidos íntimos, não teve relações que podemos chamar de mais íntimas com Emile.Cá entre nós, fazendo uma coisa tão bonita , a partir de uma mulher, nem precisa mesmo transar com ela.Talvez até atrapalhasse.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Momento político, eu e os outros
Não adianta mesmo: no final, em política, age-se mais com emoção do que com argumentos.A não ser quem direciona as coisas; esse tem que pensar bastante senão comete erro facilmente, incorrigível.
Política, emoção, o individual misturado ao todo coletivo que nos envolve.Paixão.Como sempre, como toda paixão , pode nos levar a um abismo.O personagem do filme de Glauber Rocha dizendo que "política e poesia são demais para um só homem"; a reflexão de Fernando Pessoa de que os políticos, assim como empresários ou militares, são homens de ação, de exterioridade, artistas e pensadores, de interioridade, de reflexão.As velhas cobranças que me açoitavam a juventude e me fizeram dispender tanto tempo e esforço em pregações e jornadas políticas.Mas o homem é um animal político, diria Aristóteles; como fugir da ação?
Nossa subjetividade existe em meio à materialidade objetiva que nos circunda, não podemos viver apenar a partir de nossa individualidade.Uma reação idealista, egoísta contra o ritmo e a dinâmica das massas?O mundo tão vasto e confuso, a humanidade sempre em lutas e brigas, a própria vida sendo uma labuta que carece de sentido e é plena de absurdos.
Quando mais novo, lá pelos vinte anos que não voltam mesmo, depois de minha paixão pela ciência,duas paixões outras me assaltavam: poesia e política; arte veio depois.Achava até que o mundo iria se transformar radicalmente e que eu teria que me preparar, tinha um papel político a desempenhar na sociedade e na história.Leitura, leitura,leitura....O mundo e os modelos de pensamento tentando enquadrar as coisas.Quanta adrenalina, quanta disposição!
Ah , que não consigo ficar parado, o senso de revolta sempre acicata meus ânimos e vísceras.Ainda não me adaptei bem à vida, nem sei se o conseguirei até minha morte, hoje mais próxima e palpável do que quando vivia a intumescência juvenil da prática social.Bem, pelo menos estou vivo.Sentir solidariedade pelo outro ou por uma causa, mesmo uma causa meio estranha, nos faz sentir mais vivos.Parado para quê? Criamos castelos de cristais, cheios de ceticismo extremado e conformismo; não são de cristais e sim de papel,apodrecendo com os ares da realidade.Com o tempo, as experiências vão nos torporizando e vamos perdendo encanto por tanta coisa: pelo amor, pela profissão e, mais facilmente até, pela ação política.Não adianta: o retorno da consciência reprimida age da mesma forma que o impulso reprimido, está sempre prestes a se mostrar.Derrota pela vida?Talvez.Pelo sonho?Nunca. Pode ser que acalentar sonhos coletivos esteja ligado a desenvolver outros, nossos e subjetivos, que já havíamos colocado de lado.Somos esperança em ação, desesperança em inação; assim é a dinâmica dessa máquina desejante do homem, engrenagem sutil e autônoma na grande máquina do mundo.Ainda que todos sejamos vítimas do acaso.Até uma mobilização, um evento histórico crucial pode começar com o acaso.
O negócio é brigar.Nesses tempos, mesmo prezando a argumentação, tenho discutido com muita gente, por pouco resvalando na ofensa.Coisas da vida.Sério?Em parte sim, em parte não; mas visões de mundo antagônicas expressam resoluções de máquinas desejantes diferentes.Como vivemos em contatos de superficialidade, exceto quando esses são sexuais -ainda que se tente minimizá-los: são mais profundos do que aparecem por exporem uma "nudez" absoluta do ser humano -, quando um assunto mais passional entra na jogada, o clima pode ferver e podemos ver um pouco mais da interioridade do outro com que convivemos, superficialmente, apenas na camada externa e coloquial das convenções.Surpresa!"Você pensa assim?Que horror!".
Mas é sempre bom ver além da superfície das conversas miúdas do lugar comum e do dia a dia mofado, ver a interioridade, nossa e dos outros, as visões de mundo que se explicitam em momentos de agitação e discussão.
Nosso corpo nos dá sempre problemas, o mundo exterior é hostil e a natureza não foi construída para nossa comodidade; afinal, fomos expulsos do éden.Problema maior parece ser o sofrimento que os outros nos causam, as decepções e surpresas desagradáveis com esses outros, o contato com os outros que nos fere mas é inevitável.Existe sempre esse sofrer que é inerente à vida.Afinal, como não sofrer se nossos desejos sempre serão maiores que a possibilidade de sua realização.E as pessoas nunca são, de fato, o que imaginamos delas, muito ao contrário, de certa forma.Projetamos nos outros o nosso desejo de que esses outros sejam como queremos.Vasto, ledo engano.Mas sempre devemos insistir com esses outros.Para nos bastarmos, em nosso próprio jardim cultivado, temos que ser outros dentro de nós mesmos.O que não nos basta.Nada nos basta e pronto.Sempre haverá o eu e os outros.Isso só acaba com a morte.Precisamos dos outros, ainda que esses outros sejam criados pela nossa vontade de outros impossíveis por não serem outros além dos outros comuns que nos cercam.E sofremos com isso.Sem problema: há sempre prazer na luta, qualquer que seja, mesmo inglória.Destino humano.
Como diria Camus, é preciso imaginar Sísifo descobrindo alegria e esperança em sua tarefa inglória de, eternamente, empurrar a mesma rocha montanha acima.
Política, emoção, o individual misturado ao todo coletivo que nos envolve.Paixão.Como sempre, como toda paixão , pode nos levar a um abismo.O personagem do filme de Glauber Rocha dizendo que "política e poesia são demais para um só homem"; a reflexão de Fernando Pessoa de que os políticos, assim como empresários ou militares, são homens de ação, de exterioridade, artistas e pensadores, de interioridade, de reflexão.As velhas cobranças que me açoitavam a juventude e me fizeram dispender tanto tempo e esforço em pregações e jornadas políticas.Mas o homem é um animal político, diria Aristóteles; como fugir da ação?
Nossa subjetividade existe em meio à materialidade objetiva que nos circunda, não podemos viver apenar a partir de nossa individualidade.Uma reação idealista, egoísta contra o ritmo e a dinâmica das massas?O mundo tão vasto e confuso, a humanidade sempre em lutas e brigas, a própria vida sendo uma labuta que carece de sentido e é plena de absurdos.
Quando mais novo, lá pelos vinte anos que não voltam mesmo, depois de minha paixão pela ciência,duas paixões outras me assaltavam: poesia e política; arte veio depois.Achava até que o mundo iria se transformar radicalmente e que eu teria que me preparar, tinha um papel político a desempenhar na sociedade e na história.Leitura, leitura,leitura....O mundo e os modelos de pensamento tentando enquadrar as coisas.Quanta adrenalina, quanta disposição!
Ah , que não consigo ficar parado, o senso de revolta sempre acicata meus ânimos e vísceras.Ainda não me adaptei bem à vida, nem sei se o conseguirei até minha morte, hoje mais próxima e palpável do que quando vivia a intumescência juvenil da prática social.Bem, pelo menos estou vivo.Sentir solidariedade pelo outro ou por uma causa, mesmo uma causa meio estranha, nos faz sentir mais vivos.Parado para quê? Criamos castelos de cristais, cheios de ceticismo extremado e conformismo; não são de cristais e sim de papel,apodrecendo com os ares da realidade.Com o tempo, as experiências vão nos torporizando e vamos perdendo encanto por tanta coisa: pelo amor, pela profissão e, mais facilmente até, pela ação política.Não adianta: o retorno da consciência reprimida age da mesma forma que o impulso reprimido, está sempre prestes a se mostrar.Derrota pela vida?Talvez.Pelo sonho?Nunca. Pode ser que acalentar sonhos coletivos esteja ligado a desenvolver outros, nossos e subjetivos, que já havíamos colocado de lado.Somos esperança em ação, desesperança em inação; assim é a dinâmica dessa máquina desejante do homem, engrenagem sutil e autônoma na grande máquina do mundo.Ainda que todos sejamos vítimas do acaso.Até uma mobilização, um evento histórico crucial pode começar com o acaso.
O negócio é brigar.Nesses tempos, mesmo prezando a argumentação, tenho discutido com muita gente, por pouco resvalando na ofensa.Coisas da vida.Sério?Em parte sim, em parte não; mas visões de mundo antagônicas expressam resoluções de máquinas desejantes diferentes.Como vivemos em contatos de superficialidade, exceto quando esses são sexuais -ainda que se tente minimizá-los: são mais profundos do que aparecem por exporem uma "nudez" absoluta do ser humano -, quando um assunto mais passional entra na jogada, o clima pode ferver e podemos ver um pouco mais da interioridade do outro com que convivemos, superficialmente, apenas na camada externa e coloquial das convenções.Surpresa!"Você pensa assim?Que horror!".
Mas é sempre bom ver além da superfície das conversas miúdas do lugar comum e do dia a dia mofado, ver a interioridade, nossa e dos outros, as visões de mundo que se explicitam em momentos de agitação e discussão.
Nosso corpo nos dá sempre problemas, o mundo exterior é hostil e a natureza não foi construída para nossa comodidade; afinal, fomos expulsos do éden.Problema maior parece ser o sofrimento que os outros nos causam, as decepções e surpresas desagradáveis com esses outros, o contato com os outros que nos fere mas é inevitável.Existe sempre esse sofrer que é inerente à vida.Afinal, como não sofrer se nossos desejos sempre serão maiores que a possibilidade de sua realização.E as pessoas nunca são, de fato, o que imaginamos delas, muito ao contrário, de certa forma.Projetamos nos outros o nosso desejo de que esses outros sejam como queremos.Vasto, ledo engano.Mas sempre devemos insistir com esses outros.Para nos bastarmos, em nosso próprio jardim cultivado, temos que ser outros dentro de nós mesmos.O que não nos basta.Nada nos basta e pronto.Sempre haverá o eu e os outros.Isso só acaba com a morte.Precisamos dos outros, ainda que esses outros sejam criados pela nossa vontade de outros impossíveis por não serem outros além dos outros comuns que nos cercam.E sofremos com isso.Sem problema: há sempre prazer na luta, qualquer que seja, mesmo inglória.Destino humano.
Como diria Camus, é preciso imaginar Sísifo descobrindo alegria e esperança em sua tarefa inglória de, eternamente, empurrar a mesma rocha montanha acima.
sábado, 22 de junho de 2013
Reflexão sobre o que está ocorrendo
Como caiu a ficha de que aqui não é o Eden do terceiro mundo(ah, esqueci que o Brasil não é mais terceiro mundo!),agora surgem generalizações sobre o movimento: anarquista, fascista, nacionalista, porra-louca, insatisfação juvenil, oportunismo anti-governista, e por aí afora.Alguns conhecidos meus, com orientação mais cética de pensamento, têm reclamado, há tempos, da alienação da juventude, da despolitização reinante, do conservadorismo consumista de classe média(ora, não havia um orgulho de que o país estava virando um país de classe média?),da inércia, etc,etc.Conheço tanta gente que critica isto, critica esse acomodamento burguês capitalista mas....leva aquela vidinha besta de ovelhinha da mentalidade capitalista, mais ou menos com a coerência do "espiritualista" que não deixa de estar sempre dentro de um shopping.Repentinamente, em meio às movimentações que pegaram todo mundo de repente, procuram uma explicação que muitas vezes descambam para certo simplismo.Se cairmos no simplismo de análise, não escaparemos de estar fazendo propaganda para um lado ou para outro.E propaganda é para a ação, não para a reflexão.
Acusar esse movimento como fascista me parece algo muito simplista.É óbvio que existem componentes fascistas, ideologicamente, em qualquer movimento espontâneo , o qual, por ser espontâneo, reflete os aspectos ideológicos da sociedade. Há componentes fascistas, assim como progressistas na sociedade.O que falta é diálogo dentro dela.Uma profunda desorientação predomina, mas não me parece que o que tem provocado não fuja a um conjunto de inquietações que percorrem a sociedade.Interessante o fato de que, num momento como esse de acirramento de posições, certas visões políticas, certas concepções de sociedade e participação política venham à tona.Pelas minhas posições expressas, curiosamente, tenho sido atacado por defensores, não muito críticos, do governo de colaborador da anarquia fascista desse movimento; por outros, portadores de posições preconceitualmente estabelecidas com o governo federal, acusado de defender o governo federal. Vejam só!Um chegou ao ponto de me chamar de" petista de merda", apenas porque considerei oportunista e sem sentido essa proposta esdrúxula de fazer campanha de impeachment da presidente.Pelo que me consta,estas manifestações não se voltaram apenas contra o governo federal, mas contra todos os desmandos efetuados pelas searas políticas, fruto, sem dúvida da deseducação política e inércia das massas.Engraçado: afinal, sou direitista ou esquerdista?Para alguns, sou as duas coisas.Estranho, porque não tenho tido posições do tipo "fora todos os partidos", tenho realçado a necessidade de equilíbrio, coisa difícil em situações como esta.
Eu sempre acreditei na possibilidade de um processo de educação política e participação da sociedade em partidos políticos.Atualmente eles não têm cumprido esse papel.Há os que acham que isso nem é viável, apelando para o pragmatismo dos acordos, para a política institucional.
O PT quando de seu surgimento, sempre me entusiamou por essa possibilidade de postura diferenciada, sem que em qualquer momento eu acreditasse que ele fosse motor de alguma transformação mais radical da sociedade, como muitos que dele participavam no início defendeiam.Sempre votei nele, em todas as eleições.Nas duas últimas, para presidente, confesso que votei mais contra os outros candidatos , que eu julgava muito autoritários e pouco representativos de uma necessidade nacional.Acho até que ele,PT, cumpriu papel importante, tanto quanto Lula , mas agora eu o vejo como algo muito parecido com os demais, fazendo um teatro que, mesmo usando de instrumentos justos e necessários como os programas sociais, cumpriu muito pouco do que podia, ainda mais em se levando em conta a liderança de que dispunha, a mais popular figura política e liderança de massas surgidas nesse país, no caso Lula.
Não vou endossar falas absurdas como "bolsa esmola", verbetes suspeitos de coisas da revista Veja, do tipo "governo mais corrupto da história".Os esquemas de corrupção são mais antigos; houve um absurdo processo de desmonte de patrimônio público pela venda de estatais, na era dos tucanos.Por outro lado, chegado ao poder, o PT não investigou, não fez a famosa limpeza que dizia que iria fazer.Tudo em função da governabilidade, para "não paralisar o país" , segundo as palavras de Zé Dirceu.Caiu, daí para a frente, para o caminho da política real dos FHC que tanto tinha combatido.Em verdade, já tinha subssumido o próprio PSDB.E com isso, jogou fora o enorme potencial de mobilização popular que havia criado, a possibilidade de um grande processo de renovação educativa de massas e consciência cívica.Deu nessa pasmaceira.O partido dos jovens passou a ser um partido de "velhos".Esgotou seus limites.Para mim, já cumpriu seu papel; o Lula e o lulismo não vai ser o eterno xamanismo que resolverá todos os problemas do país ou da história.E o resto parece ir do conservadorismo ao ultra-conservadorismo, sem opção alguma.Negar o mensalão é o mesmo que negar a compra de votos no governo FHC.Mas o próprio PT se furtou de correr atrás da elucidação desse crime contra o país, quando chegou ao poder.Deve ter se apoderado dos mecanismos de corrupção criados pelo sistema tucano que gerou as privatizações piratas.
Pessoalmente, acho que essas grandes mobilizações jovens correm risco de se dispersar, é fato.Como é fato que qualquer mobilização é melhor do que nenhuma.Correm risco de não resultar em nada organizado.Mas demonstram uma insatisfação generalizada com muitas coisas e direitos não respeitados, que apenas os estratos mais jovens de classe média - conservadores em grande parte, é verdade, porque nossa sociedade é conservadora, mas desorientados e pouco esclarecidos- poderiam ostentar.Parece sempre ser assim.
Existe uma postura individualista e elitista que sempre vê as massas como burras, raia miúda insana, não podendo se manifestar fora dos limites do voto e do mundo institucional da política.Massa essa que sempre tem que ser dirigida, mas nunca ouvida.Essa tem sido a postura que vai de FHC e Lula.Os dois, cúmplices, jogaram o país nessa encruzilhada.
Essa postura- de ver a massa, o povo com desprezo - pode ser visível tanto num pensamento de esquerda quanto de direita.O pessimismo pode desaguar no imobilismo ou no reacionarismo.O pessimismo nunca se aproximará do que é mais jovem porque ele representa, no fundo, a descrença, um certo mofo de sentimento de morte e nada permeando tudo, uma descrença em formas novas de esperança.No fundo, a experiência demonstrou que, tanto fascistas quanto comunistas sempre pensaram assim, no todo sendo guiado pelos iluminados.
Nossa cultura paternalista ainda trabalha com a idéia do grande líder.Agimos ainda como a grande Casa Grande e Senzala, tolerando inclusive figuras como o sinhozinho de escravos agora mais "liberal", como o que ocorre com Sir Ney e outros, em torno da governabilidade.Sim, vão dizer que tudo tem que ser a passo lento e seguro.Não é à toa que nosso vice hoje é o Temer.
Que haja passo lento e seguro mas sem abrir mão de um pouco de ousadia.Mas ver um Lula enaltecendo o passado do imperador do Maranhão ou dando a mão para o velhaco espoliador do tesouro público de São Paulo, já me diz tudo e me indica que o caminho não é mais por aí.Tive que votar no atual prefeito porque os outros candidatos eram piores ainda; pelo menos o atual prefeito me parecia menos reacionário.Daí que respeitei a postura de voto nulo ou branco defendida por muita gente sensata e inteligente que conheço.
Quem achar que esse é o único caminho, tudo bem, mas que assuma que é um defensor do governo; assim como muita gente que ataca o mesmo tem que assumir que não vai mesmo é com a cara da Dilma, até hoje não engoliu o "tosco" metalúrgico em oito anos no poder.Lulistas e viúvas de FHC me causam tédio!Parece-me postura mais emotiva que política, uma idolatria contra o preconceito.O que seria pior?
Mas, como dizia o filósofo Russell, política dificilmente é feita por meio de argumentos lógicos e sim por emoções circunstancializadas.Entendê-las e orientá-las não deixa de ser uma nobreza de ação e inteligência humana.Porque toda energia humana, se não for organizada para o construtivo vira destruição ou barbárie.Se não houver diálogo e reflexão sobre o que ocorre, então, de nada adiantará toda essa barafunda.
Acusar esse movimento como fascista me parece algo muito simplista.É óbvio que existem componentes fascistas, ideologicamente, em qualquer movimento espontâneo , o qual, por ser espontâneo, reflete os aspectos ideológicos da sociedade. Há componentes fascistas, assim como progressistas na sociedade.O que falta é diálogo dentro dela.Uma profunda desorientação predomina, mas não me parece que o que tem provocado não fuja a um conjunto de inquietações que percorrem a sociedade.Interessante o fato de que, num momento como esse de acirramento de posições, certas visões políticas, certas concepções de sociedade e participação política venham à tona.Pelas minhas posições expressas, curiosamente, tenho sido atacado por defensores, não muito críticos, do governo de colaborador da anarquia fascista desse movimento; por outros, portadores de posições preconceitualmente estabelecidas com o governo federal, acusado de defender o governo federal. Vejam só!Um chegou ao ponto de me chamar de" petista de merda", apenas porque considerei oportunista e sem sentido essa proposta esdrúxula de fazer campanha de impeachment da presidente.Pelo que me consta,estas manifestações não se voltaram apenas contra o governo federal, mas contra todos os desmandos efetuados pelas searas políticas, fruto, sem dúvida da deseducação política e inércia das massas.Engraçado: afinal, sou direitista ou esquerdista?Para alguns, sou as duas coisas.Estranho, porque não tenho tido posições do tipo "fora todos os partidos", tenho realçado a necessidade de equilíbrio, coisa difícil em situações como esta.
Eu sempre acreditei na possibilidade de um processo de educação política e participação da sociedade em partidos políticos.Atualmente eles não têm cumprido esse papel.Há os que acham que isso nem é viável, apelando para o pragmatismo dos acordos, para a política institucional.
O PT quando de seu surgimento, sempre me entusiamou por essa possibilidade de postura diferenciada, sem que em qualquer momento eu acreditasse que ele fosse motor de alguma transformação mais radical da sociedade, como muitos que dele participavam no início defendeiam.Sempre votei nele, em todas as eleições.Nas duas últimas, para presidente, confesso que votei mais contra os outros candidatos , que eu julgava muito autoritários e pouco representativos de uma necessidade nacional.Acho até que ele,PT, cumpriu papel importante, tanto quanto Lula , mas agora eu o vejo como algo muito parecido com os demais, fazendo um teatro que, mesmo usando de instrumentos justos e necessários como os programas sociais, cumpriu muito pouco do que podia, ainda mais em se levando em conta a liderança de que dispunha, a mais popular figura política e liderança de massas surgidas nesse país, no caso Lula.
Não vou endossar falas absurdas como "bolsa esmola", verbetes suspeitos de coisas da revista Veja, do tipo "governo mais corrupto da história".Os esquemas de corrupção são mais antigos; houve um absurdo processo de desmonte de patrimônio público pela venda de estatais, na era dos tucanos.Por outro lado, chegado ao poder, o PT não investigou, não fez a famosa limpeza que dizia que iria fazer.Tudo em função da governabilidade, para "não paralisar o país" , segundo as palavras de Zé Dirceu.Caiu, daí para a frente, para o caminho da política real dos FHC que tanto tinha combatido.Em verdade, já tinha subssumido o próprio PSDB.E com isso, jogou fora o enorme potencial de mobilização popular que havia criado, a possibilidade de um grande processo de renovação educativa de massas e consciência cívica.Deu nessa pasmaceira.O partido dos jovens passou a ser um partido de "velhos".Esgotou seus limites.Para mim, já cumpriu seu papel; o Lula e o lulismo não vai ser o eterno xamanismo que resolverá todos os problemas do país ou da história.E o resto parece ir do conservadorismo ao ultra-conservadorismo, sem opção alguma.Negar o mensalão é o mesmo que negar a compra de votos no governo FHC.Mas o próprio PT se furtou de correr atrás da elucidação desse crime contra o país, quando chegou ao poder.Deve ter se apoderado dos mecanismos de corrupção criados pelo sistema tucano que gerou as privatizações piratas.
Pessoalmente, acho que essas grandes mobilizações jovens correm risco de se dispersar, é fato.Como é fato que qualquer mobilização é melhor do que nenhuma.Correm risco de não resultar em nada organizado.Mas demonstram uma insatisfação generalizada com muitas coisas e direitos não respeitados, que apenas os estratos mais jovens de classe média - conservadores em grande parte, é verdade, porque nossa sociedade é conservadora, mas desorientados e pouco esclarecidos- poderiam ostentar.Parece sempre ser assim.
Existe uma postura individualista e elitista que sempre vê as massas como burras, raia miúda insana, não podendo se manifestar fora dos limites do voto e do mundo institucional da política.Massa essa que sempre tem que ser dirigida, mas nunca ouvida.Essa tem sido a postura que vai de FHC e Lula.Os dois, cúmplices, jogaram o país nessa encruzilhada.
Essa postura- de ver a massa, o povo com desprezo - pode ser visível tanto num pensamento de esquerda quanto de direita.O pessimismo pode desaguar no imobilismo ou no reacionarismo.O pessimismo nunca se aproximará do que é mais jovem porque ele representa, no fundo, a descrença, um certo mofo de sentimento de morte e nada permeando tudo, uma descrença em formas novas de esperança.No fundo, a experiência demonstrou que, tanto fascistas quanto comunistas sempre pensaram assim, no todo sendo guiado pelos iluminados.
Nossa cultura paternalista ainda trabalha com a idéia do grande líder.Agimos ainda como a grande Casa Grande e Senzala, tolerando inclusive figuras como o sinhozinho de escravos agora mais "liberal", como o que ocorre com Sir Ney e outros, em torno da governabilidade.Sim, vão dizer que tudo tem que ser a passo lento e seguro.Não é à toa que nosso vice hoje é o Temer.
Que haja passo lento e seguro mas sem abrir mão de um pouco de ousadia.Mas ver um Lula enaltecendo o passado do imperador do Maranhão ou dando a mão para o velhaco espoliador do tesouro público de São Paulo, já me diz tudo e me indica que o caminho não é mais por aí.Tive que votar no atual prefeito porque os outros candidatos eram piores ainda; pelo menos o atual prefeito me parecia menos reacionário.Daí que respeitei a postura de voto nulo ou branco defendida por muita gente sensata e inteligente que conheço.
Quem achar que esse é o único caminho, tudo bem, mas que assuma que é um defensor do governo; assim como muita gente que ataca o mesmo tem que assumir que não vai mesmo é com a cara da Dilma, até hoje não engoliu o "tosco" metalúrgico em oito anos no poder.Lulistas e viúvas de FHC me causam tédio!Parece-me postura mais emotiva que política, uma idolatria contra o preconceito.O que seria pior?
Mas, como dizia o filósofo Russell, política dificilmente é feita por meio de argumentos lógicos e sim por emoções circunstancializadas.Entendê-las e orientá-las não deixa de ser uma nobreza de ação e inteligência humana.Porque toda energia humana, se não for organizada para o construtivo vira destruição ou barbárie.Se não houver diálogo e reflexão sobre o que ocorre, então, de nada adiantará toda essa barafunda.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
A falácia do Feliciano
Exijo internação, já!
Bem,
meu problema nunca foi o homossexualismo, embora a sexualidade , em si , sempre
tenha sido um problema.E para quem não é?
Nesse ponto, minha vida foi menos complicada do que para qualquer gay,
por não sofrer perseguição, a não ser a dos meus desejos, das péssimas escolhas e das neuroses em meus
relacionamentos.Mas nunca poderia apelar ao Estado para resolver esses
problemas e psicanalista sempre custou caro e pouco resolveu.Há coisas
incuráveis nessa vida...
Agora vem um projeto para que o gay tenha tratamento adequado por parte
do estado.Projeto proposto pela comissão de direitos humanos, comandada por uma
figura sem dúvida homofóbica.Imagino como seria uma comissão de direitos
humanos na Alemanha nazista e quem seria seu presidente.Provavelmente o
Dr.Mengele.
Pois bem; considero que, a partir disso, tenho direito de reivindicar
tratamento psicológico pelo estado.Não por ser gay.Pelo menos por enquanto; acho que dificilmente vou mudar de time já que
estou um pouco velho demais e viciado em
outros frutos.Os motivos seriam outros, de inadequação social, quem sabe.
Sempre
concordei com Freud que todos nascemos bissexuais e só alguns acasos produzidos
por educação, criação e sociedade produzem a diferenciação heterossexual; ou
seja, todos ainda, em parte, continuamos bissexuais, apenas o comportamento
hetero sendo um acaso; tem vezes que não
consigo ver diferença alguma entre homem e mulher, mulher que parece
homem(hoje, cada vez mais, ah,ah!), homem parecendo mulher, tudo muito confuso,
naturalmente.Daí que todo hetero ainda tenha fantasias homossexuais, assim como
em família, todos têm fantasias incestuosas, todos os homens com
potencialidades estupradoras(daí a necessidade punitiva severa por parte da
sociedade), muitas necessidades e impulsos reprimidos no inconsciente, perdidos
nesse grande manto de penumbra que é o universo dos sonhos, cuja maior parte
não lembramos.Uma polêmica de teor psicológico que não vem ao caso.Falar coisas
assim, para gente com a cabeça de um Feliciano,
já seria suficiente para internação ou isolamento num exílio.
Mas
nunca abandonarei o conceito de ver a
religião como uma neurose obsessiva universal.Assim como não vejo civilização sem religião, como não vejo civilização sem neuroses.O
importante sempre é aliviar o sofrimento humano, inclusive por causa delas,
neuroses. Caras como o Feliciano manipulam bem essas neuroses, comercialmente
falando.
A
organização mundial da saúde não considera homossexualidade doença.Uma
conquista civilizatória, a qual seria endossada, sem dúvida, por um humanista
como Freud.A sexualidade humana é ainda cheia de mistérios, as formas de
comportamento mais ainda; somos ainda primitivos no conhecimento de nossa
natureza mais primitiva.Estamos ainda no início dos estudos que relacionam
nossos comportamentos com nossas heranças genéticas.
Em
Roma ou na Grécia, estranhariam muito essa polêmica sobre homossexualismo. No
cristianismo medieval era mais simples: queimavam as figuras de
"comportamento esdrúxulo", graças à sabedoria da inquisição.Que
saudades, hein, Feliciano?
Caras como Feliciano proporiam a internação de figuras como Alexandre,
César ou Leonardo Da Vinci, o que provocaria, deveras!, alterações na história
da humanidade; humanidade esta onde só haveria caras como Feliciano.Eh, Maravilha!
Com
frequência atacamos nos outros coisas que não aceitamos em nós.Por isso temos
que desconfiar de nossas posições tanto quanto a dos outros. Feliciano
precisaria menos de bíblia e mais de análise.Mas um tipo como ele não quer se
analisar e sim faturar.Agora virou personalidade, o ego devendo estar nas alturas.Graças
à inépcia do PT que deu comissão importante para as mãos de partido
atrasado.Ah, sim a tal da governabilidade....Acrescentaria: ah, o tal do
cinismo!
Em
todo caso, desde já, reivindico meu direito de tratamento e internação: por não
me sentir muito bem nesse mundo, não compactuar com o sistema de valores do
mundo, não engolir as fórmulas
milagreiras de felicidade, assim como os felicianos da vida.Em suma, por ser um
cara problemático para comigo e com os outros, não encontrar o lugar certo nas
engrenagens das coisas e não produzir muita “riqueza” para o sistema.Quer mais
motivo para internação?!E pelo SUS.Nossa, deus me guarde!Ih, mas eu não acredito
em deus....
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